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Alojamento local em condomínio: autorização, oposição da assembleia, quota extra de 30 % e o acórdão do STJ

Artigo informativo, não constitui aconselhamento jurídico ou fiscal. Para o seu caso, confirme junto da câmara municipal, da AT ou do seu contabilista certificado.

Desde o DL 76/2024, um apartamento em AL não precisa de autorização do condomínio, exceto se for hostel. A assembleia pode opor-se por deliberação fundamentada de mais de metade da permilagem, em caso de perturbação reiterada, e o presidente da câmara decide. Pode ainda cobrar uma quota adicional até 30 %.

Hóspedes informados das regras do prédio antes de chegarem — e sem tocar à campainha errada. →

A maior parte dos AL que fecham em prédios não fecha por causa da câmara nem das Finanças: fecha por causa de uma reunião de condomínio. O regime mudou três vezes em seis anos, e cada vizinho leu uma versão diferente. Aqui fica o estado atual e um plano para nunca chegar à votação.

Prédio de habitação com varandas e plantas onde um apartamento está em alojamento local

Autorização: só para hostels

O Mais Habitação (2023) passou a exigir autorização do condomínio para AL em frações destinadas a habitação. O Decreto-Lei 76/2024 revogou essa exigência, mantendo-a apenas para a modalidade hostel. Para apartamentos, a regra é: regista, e o condomínio pode reagir depois.

O título constitutivo e o acórdão do STJ de 2022

Há uma camada que o DL 76/2024 não toca: o direito civil da propriedade horizontal. Em 2022, o Supremo Tribunal de Justiça uniformizou jurisprudência no sentido de que, se o título constitutivo indica que a fração se destina a habitação, nela não é permitido o alojamento local. Na prática:

Há decisões posteriores que afinam a interpretação conforme a redação concreta do título. Com uma fração «para habitação», fale com um advogado antes de investir.

A oposição da assembleia

Com uma fração já em AL, a assembleia pode, por deliberação fundamentada aprovada por mais de metade da permilagem, opor-se à atividade com base em:

A deliberação vai para o presidente da câmara, que pode cancelar o registo ou convidar as partes a um acordo, com o apoio do provedor do alojamento local onde exista. A palavra-chave é comprovada: queixas por escrito, participações à polícia, registos de ruído. Um condomínio que vota por antipatia, sem provas, tem mais dificuldade. Mas um AL com festas todos os fins de semana dá-lhe as provas.

✓✓✓✓AL✓✓✓✓✓✓✓Votos pela oposiçãomais de metadevota pela oposiçãocontra ou ausenteClique nas frações que votam pela oposição. Simplificado:todas com a mesma permilagem.
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Deliberação fundamentada, aprovada por mais de metade da permilagem, com base em perturbação reiterada e comprovada. Segue para o presidente da câmara.

Quota adicional, obras e seguro

TemaRegra
Quota adicionalAté 30 % da quota anual, pela utilização acrescida das partes comuns (artigo 1424.º do Código Civil)
Obras nas partes comunsAs necessárias para adaptar o prédio ao AL são pagas pelo titular
SeguroAlém da responsabilidade civil (mínimo 75.000 €), seguro de danos por incêndio com origem no alojamento
ContactosTelefone e email ao condomínio; número de emergência permanente se a assembleia o exigir
RuídoSinalética interior com os horários do Regulamento Geral do Ruído
Livro de informaçõesCom as regras do condomínio relevantes para os hóspedes, em quatro línguas

Os requisitos gerais do registo estão no guia como abrir um alojamento local.

Como nunca chegar à votação

Os conflitos com vizinhos têm quase sempre as mesmas quatro causas. Todas se resolvem antes da chegada do hóspede:

  1. Hóspedes à porta errada. Tocam a todas as campainhas às duas da manhã. Solução: instruções com fotos e um código de porta que funciona — veja check-in autónomo.
  2. Malas e esperas na escada. Check-in sem horário fixo e sem espera pela chave.
  3. Ruído. Regras curtas aceites no check-in online (silêncio a partir das 22h, sem festas), lembrete na véspera e limite real de hóspedes.
  4. Lixo. Instruções de separação em quatro línguas, com o dia de recolha.
Da nossa práticaNo nosso alojamento, as queixas dos vizinhos caíram quase a zero quando deixámos de entregar chaves pessoalmente. Parece contraditório (menos contacto, menos conflitos), mas o problema nunca foi o hóspede: era o hóspede perdido, à procura de alguém, à meia-noite, na escada.

Dar ao condomínio uma razão para gostar do AL

O número de registo do AL também passou a ser verificado pelas plataformas — veja regulamento europeu do arrendamento de curta duração.

Perguntas frequentes

Preciso da autorização dos vizinhos para abrir AL num apartamento?

Não, desde 1 de novembro de 2024, salvo na modalidade hostel. Mas confirme o título constitutivo da propriedade horizontal: se a fração estiver destinada a «habitação», os condóminos podem recorrer a tribunal com base no acórdão de uniformização do STJ de 2022.

Com que maioria a assembleia se pode opor?

Mais de metade da permilagem do edifício, por deliberação fundamentada em atos reiterados e comprovados que perturbem a utilização do prédio ou o descanso dos condóminos. A decisão final cabe ao presidente da câmara.

O condomínio pode cobrar-me mais?

Sim, uma contribuição adicional pelas despesas da utilização acrescida das partes comuns, até 30 % da quota anual, aprovada nos termos do artigo 1424.º do Código Civil.

Quem paga obras nas partes comuns por causa do AL?

As obras necessárias para adaptar o prédio à atividade de alojamento local correm por conta do titular da exploração.

Que contactos tenho de dar ao condomínio?

Telefone e email do responsável. A assembleia pode ainda exigir, por maioria do capital investido, um número de emergência permanente.

Menos atritos com os vizinhos

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Fontes

  1. Turismo de Portugal — Guia técnico do alojamento local (jan. 2025), capítulo 22 «Alojamento local em condomínios»
  2. Decreto-Lei n.º 128/2014, versão consolidada — Diário da República
  3. Supremo Tribunal de Justiça — Acórdão de Uniformização de Jurisprudência n.º 4/2022 (DR de 10-05-2022)

Legislação verificada pela última vez a 15 de outubro de 2026.